Episódio 2 – Trabalho no pós-digital?

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Saiba como a transformação digital mudou o mercado de trabalho e de que forma os executivos e líderes estão lidando com a descentralização da autonomia, a necessidade de mudanças e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

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No segundo episódio do Fintech Labcast, vamos discutir como a transformação digital modificou o mercado de trabalho.  O compartilhamento da autonomia para a tomada de decisões, a abertura dos executivos para mudanças constantes e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional são alguns dos temas tratados no programa.

 

Para esse papo, convidamos o sócio da Amrop 2GET, Guilherme Maciel, que atua na seleção de executivos de liderança para grandes empresas do mercado. O executivo falou sobre o contexto específico das Fintechs e sobre como é o novo perfil de liderança mais procurado no mercado financeiro.

 

Outro ponto destacado é a transição de uma gestão muito apoiada no “Time Management” para um modelo mais focado em “Energy Management”. Ou seja, além do tradicional gerenciamento do tempo, é importante termos consciência de como administramos a intensidade dispendida nas atividades da rotina.

 

Também participam neste episódio Daniela Cabral, diretora de RH da AVANADE e Andrea Tedesco, mentora de carreiras da Digital House com depoimentos bem interessantes relacionados ao futuro do trabalho.

 

Para se aprofundar ainda mais nesse debate, dê o play no Spotify, Itunes ou aqui no site e ouça agora o segundo episódio do Fintech Labcast.

Transcrição:

 

LOCUTOR: Olá a Todos! começa agora mais um Fintech Labcast, o seu podcast sobre finanças, tecnologia e variedades. Para o nosso segundo episódio, a gente aproveita que esse ano tem menos feriados, pra deixar de moleza e falar sobre aquilo que enobrece o homem: o trabalho.

 

O Fintech Labcast tem o patrocínio do saxo Bank. Há 25 anos transformando a maneira de investir, oferecendo acesso global ao mercado de capitais

 

Circulou em um post na internet um vídeo bem interessante sobre as 15 marcas mais valiosas do mundo. Se você não viu ainda, depois vai lá ver no post no nosso site. Nesse vídeo, você percebe que as empresas que têm a Inovação no DNA tomam, em questão de poucos anos, o posto das gigantes até então estabelecidas no topo do mercado.

 

 

Com a inovação sendo vetor dessas mudanças, a maneira como a gente encara o trabalho também tem se transformado. Isso vai muito além da geladeira com cerveja free ou do videogame para descompressar. Não é isso não, o trabalho tem se modificado de maneira radical com a transformação digital.

 

As mudanças são muitas, mas nesse episódio vamos focar em três coisas que devem impactar demais o futuro do trabalho. Em resumo, hoje a gente vai falar sobre: a autonomia, a competência para fazer mudanças, e também o equilíbrio importante entre o profissional e o pessoal.

 

E para tratar sobre esse assunto, a gente traz aqui hoje um convidado muito especial: Guilherme Maciel, da Amrop 2Get, uma empresa especializada em prestar consultoria para contratação de executivos de liderança. E aí, Guilherme, tudo bem com você? Seja bem-vindo ao Fintech Labcast.

 

GUILHERME MACIEL: Muito obrigado, Léo, pelo convite. Obrigado pelas palavras.

 

LOCUTOR: Para gente começar, vamos falar sobre como é vista a autonomia atualmente nas empresas. A gente sabe que a gente vive em um cenário onde quem manda é a Inovação, e que aquele modelo, né, aquele modelo arraigado de hierarquia verticalizada, ele já não estimula mais um ambiente muito favorável para, exatamente, a inovação acontecer.

 

Então, como a gente não sabe de onde que vai vir a boa ideia, as empresas têm investido em compartilhar mais autonomia para que as pessoas possam trazer coisas novas e também fazer com que essas novidades se viabilizem. Então, a minha pergunta é o seguinte, para gente começar aqui: entre os gestores, entre os CEO’s como é que você avalia essa capacidade de compartilhar autonomia e também como que eles têm gerenciado os riscos e também os benefícios desse compartilhamento?

 

GUILHERME MACIEL: Muito legal, Léo. É muito propícia a pergunta, né, muito atual. De fato, os gestores, os líderes das organizações, vamos dizer as empresas mais tradicionais, precisam aprender rapidamente como liderar e gerenciar processos de inovação, processos que estimulam a criatividade.

 

Lembrando que no passado as empresas se vangloriavam pelo percentual da sua receita que era aplicada em pesquisa e desenvolvimento. Hoje, isso por si só, já não basta mais. Precisamos criar uma estrutura, como você mesmo disse, mais LEAN, né, mais com cara de STARTUP, mais descentralizada, onde as pontas conseguem tomar decisões mais ágeis, né, mais orientada para o que ficou muito esquecido no passado. Nosso consumidor, nosso usuário, para quem não estamos produzindo e prestando serviço.

 

Eu acho que esse DNA de STARTUP, esse conceito de LEAN STARTUP, de utilizar metodologias ágeis, não só no desenvolvimento da própria tecnologia, mas de trazer inovações para as corporações é muito relevante. Essa conversa pode ir mais longe viu, Léo? A gente pode falar daquelas empresas mais tradicionais que já criaram a área Open Inovation, que é aproximar a ida das STARTUPs para trazer inovação que, possivelmente não seria possível conduzir internamente, havemos agora o movimento mais interessante dos CORPORATE NATIO CAPITALS, fundos destinados dentro das organizações para investir em novas companhias, companhias digitais, né, nas STARTUPS, além de ADVENTURE BUILDERS e outras formas de trazer inovação. Mas isso não só descentraliza internamente, mas também ela expande fora da própria organização.

 

LOCUTOR: Essa questão de descentralizar a autonomia, quando você tem uma pessoa que já tem um perfil mais focado para inovação, eu imagino que isso seja algo natural, que a pessoa já cresceu, já estudou, já se preparou para isso.

 

Mas quando você encara gestores e CEO’s da velha cultura, por exemplo, como é que tem sido essa adaptação a essa tendência que deixou de ser tendência, para ser uma realidade que já não vai mudar mais. Hoje em dia, ou você é inova ou você morre, né?

 

GUILHERME MACIEL: Esse é um tema curioso, porque falar de transformação digital para, vamos dizer, nós que somos de uma outra geração, que não somos dessa geração Millenium, disruptiva e tudo mais, ela tem que ser estimulada, eu gosto de estimular em dois eixos. Tem uma coisa que qualquer empreendedor, qualquer gestor, qualquer administrador entende, que é o eixo, um gráfico de que trabalha tanto receita e rentabilidade. Isso todo mundo entende, como que eu gosto de discurtir transformação digital com pessoas que como nós, que vêm de outra geração.

 

Trazer transformação digital, nada mais é que, um processo de mudança, de fato, de transformação, no qual ele traz uma série de metodologias para endereçar tanto melhorias na nossa capacidade de gerar novas receitas e melhorar as nossas operações, ou seja, mexer imagem e aumento de receita, mas nesse momento utilizando metodologias novas que são de fato ágeis, e tecnologias que por acaso são digitais.

 

Desmistificar um pouco esse negócio, não é um palavrão transformação digital, não precisa ter medo de falar que nós estamos criando um processo gigantesco dentro das nossas empresas, transformação digital. Na maior parte da verdade são mentiras, são pequenas iniciativas, muito tímidas, que seja criar um canal, um aplicativo. Isso é muito pequeno perto de tudo que nós estamos discutindo.

 

Agora, como é que o líder tradicional, como é que nós vamos mudar nesse meio tempo, eu não acredito que todos nós seremos disruptivos, que nós vamos criar coisas novas e diferentes, que vão abalar o mercado, até porque nós estamos enraizados, nós somos o legado desse mundo todo. Mas eu acho que nós temos o dever de estimular isso, trazendo pessoas que têm essa cabeça e dar autonomia, de fato, e voltando o termo de autonomia e descentralização, para coisas diferentes.

 

A gente pode apoiar com recursos, a gente pode apoiar com experiências, a gente pode apoiar com metodologias, com acesso, com contatos. Então, tem muita coisa que pode ser feita e não precisamos ficar presos aí, a tecnologia, ao desenvolvimento da tecnologia.

 

A gente, dificilmente, vai desenvolver isso no curto espaço de tempo. Agora características de liderança que vão estimular isso, eu acho que está mais fácil e é um dever nosso, se a gente quiser, que as nossas empresas tenham sustentabilidade.

 

LOCUTOR: Tem uma questão que muito se fala, mas na hora de fazer acaba sendo diferente, que é a disposição para mudança, né? Então, quando você tem um ambiente inovador como as STARTUP’s ou as próprias empresas de tecnologia, é inevitável que a mudança é a constante, né? Mudar a cada dia, você acordou amanhã a realidade já tá diferente daquilo que foi ontem, muitas vezes muda no mesmo dia a mudança acaba acontecendo de maneira muito rápida, seja por um ajuste derrota, seja por uma troca de rota para seguir outro caminho e tal. Agora com que velocidade os executivos de liderança, eles têm se adaptado a esse novo contexto? E também qual o nível de proatividade que eles têm tido para gerarem as suas próprias mudanças?

 

GUILHERME MACIEL: Eu acho que esse é o maior dilema, né? Dessa transformação toda, porque a tecnologia disponível e barata para todo mundo, processos e metodologias é fácil também hoje ter acesso. Tem muita gente que pode nos ensinar a fazer isso e também não é tão caro quanto o processo de reengenharia lá atrás, que a gente encarou. O grande problema está exatamente na mudança cultural, que a mudança cultural das organizações vem com a mudança das lideranças, das pessoas. Esse tem sido o maior gargalo no processo de transformação digital como um todo, tá, dar organizações.

 

Vou extrapolar um pouco, não só organizações, mas o Estado, por exemplo, também. Os países não estão prontos para encarar mudanças, tal como o BLOCKCHAIN traz.

 

Essa descentralização de poder que tá ocorrendo dentro das empresas, ocorre no Estado. Então, mudar a cabeça não está ocorrendo na mesma velocidade, e que pode deixar aí, Léo. Poxa, você tocou no tema superimportante. Essa velocidade é tão alta, que está distanciando cada vez mais. Criando empresas cada vez mais Trilionárias, você comentou no início das empresas que têm maior valor de marca hoje, são as empresas que têm maior valor de mercado também.

 

Começam a ter, obviamente, essas empresas, não só uma concentração de dinheiro, de poder, mas também de dados, que é o grande, é um pouco da combinação de poder com dinheiro hoje. Então, se não acordar logo, aliás nós estamos atrasados já, no meu ponto de vista. Para você ter ideia, pouquíssimas empresas hoje, de empresas não nascidas digitais, empresas não-tecnológicas vamos dizer assim, para ir um pouco mais amplo, possuem conselhos e têm uma visão sobre o futuro e sua transformação digital.

 

Essa demanda tem crescido agora no Brasil, a gente tem buscado cada vez mais conselheiros para começar endereçar essa conversa com seus CEO’s, com o próprio board, para começar a provocação. Estamos atrasados, vejos algumas iniciativas de trazer TIFF DIGITAL OFFICERS, que é na minha visão a carreira mais transitória, até que todos tenham um conhecimento, nivelamento do conhecimento sobre tecnologia, disrupção e transformação digital, mas é algo que demora. Estamos atrasados, tá, e esse é o grande gargalo.

 

LOCUTOR: E já que estamos falando desse conhecimento, vamos ouvir a Daniela Cabral, diretora de RH da Avanade, que tem uma visão interessante sobre como um ambiente inovador contribui no processo de aprendizado contínuo, que é bastante comum atualmente.

 

INSERÇÃO DANIELA CABRAL: Eu acho que as pessoas têm que estar sempre estudando, sempre antenadas, conectando com pessoas que estão nesse ambiente, conhecer novas tecnologias. Está muito em busca de centros de inovação, então assim, tem muitos lugares hoje, no Brasil mesmo, de laboratórios de inovação que ajudam a conectar a universidade com as empresas, com pessoas que querem empreender. Então, estar dentro desse network é muito importante para que as pessoas entendam como é que tá o movimento e consigam buscar novas oportunidades.

 

LOCUTOR: Seguindo nessa linha do que a Daniela falou, a gente percebe que além de um ambiente inovador, buscar escolas e instituições de ensino que auxiliem as pessoas a buscarem o novo sem desprezarem o seu histórico de aprendizagem é fundamental.  Olha só o que fala a Andrea Tedesco, mentora de carreiras da Digital House.

 

INSERÇÃO ANDREA: É sempre importante que a gente se alinhe alguma escola ou estude coisas da tecnologia, mas com pessoas que estão conectadas ao que é o futuro do trabalho, às habilidades do Futuro que é sempre divulgado pelo fórum econômico mundial e que tem muitas qualidades das competências técnicas.  Então, quando você está dentro de um lugar que você consegue estudar essas novas tecnologias, como envolver essas tecnologias dentro da profissão que você já tem. Ou seja, a gente não precisa deixar nada de lado, né? O grande medo das pessoas hoje é: eu não vou mais fazer uma transição de carreira, porque eu vou deixar tudo para trás. Não! Como é que a gente se alinha hoje a tecnologia? Estudar com alguém bacana e que te dê oportunidade de conhecer outras pessoas, que te ensine gestão de carreira porque a gente tem que olhar primeiro para dentro. Faz aquela faxina, para enxergar o mundo fora com mais clareza.

 

LOCUTOR: Guilherme, você esteve com a Daniela e Andrea para uma conversa sobre o trabalho na Campus Party Brasil. O que mais rolou nesse papo com elas?

 

GUILHERME MACIEL: Foi curioso, um painel que a Digital House nos convidou. No qual eu participei junto com líderes do Facebook, da Avanade, do Air BNB, todos de RH. São os novos líderes de RH os OPEN COMERS, uma turma, apesar de jovem, sênior, com uma visão bastante profunda sobre transformação e o tipo de profissional que precisa ser atraído para gerar essas mudanças.

 

O drama lá, um dos temas mais polêmicos que surgiu na Campus Party foi um pouco do que eu discuto hoje, que a gente fala muito sobre exploração do trabalho, a gente vê as campanhas políticas e discutindo, discussão se vai ter sindicato, mudança em legislação trabalhista, um troço antigo que a gente ainda discute e precisa ser discutido, de fato. Mas nós também estamos entrando na era em que a tecnologia está transformando nosso trabalho irrelevante.

 

Então, assim, pior do que sermos explorados, como éramos e ainda eventualmente somos no presente, e as nossas atividades podem se transformar em irrelevantes num curtíssimo espaço de tempo. Eu digo ser irrelevante é muito pior do que ser explorado. Porque você está fora do jogo, você deixa de existir para cadeia produtiva propriamente dito.

 

Então é um tempo que nós temos que ficar vendo essa discrepância que eu disse agora pouco de empresas gigantescas com poderes enormes. Diga-se de passagem, o Facebook com 2.4 bilhões users, comparado com 1.4 bilhão da população chinesa.

 

Assim, o que tem mais relevância daqui a pouco. Tem que tomar cuidado com esse tipo de coisa e trabalharmos, nos desenvolvemos, para que possamos sair desse mundo da irrelevância e tornarmos relevantes no futuro.

 

LOCUTOR: Guilherme, quero aqui no nosso último bloco falar sobre uma discussão que é muito atual, que é a importância de você balancear o profissional e o pessoal, né? Tanto no pessoal, quanto no profissional. O digital, ele trouxe mobilidade, ele trouxe a condição de a gente resolver praticamente qualquer questão, a qualquer hora. Muita gente anda com o escritório dentro do bolso, no próprio Smartphone gerenciando tudo a distância. Então, essas facilidades são inegáveis, mas isso gera um baita problema.

 

Eu acabo vivendo muito isso também, apesar de ter uma vida completamente diferente, né, dos CEO’s de grandes multinacionais. Eu sou dono do meu pequeno negócio, mas que tem que gerenciar ele como todo.

 

Então, isso exatamente me faz trabalhar a qualquer momento. Eu não tenho sábado e domingo, não tem madrugada. Às vezes tem uma demanda, você tá ali… Se confunde muito a questão do profissional com a questão do pessoal.  E eu queria que você avaliasse para gente, você que tá direto com isso no dia-a-dia, lidando com tanta gente diferente. Como que os líderes têm lidado com essa questão, hoje em dia, que acaba sendo fundamental para vários aspectos, inclusive para saúde física e para a saúde psicológica da gente também, né?

 

GUILHERME MACIEL: Esse é um dilema enorme. Vamos lá, vou pegar alguns pontos. Percebemos que de algum tempo atrás, teve esse modismo aí da criação do que eu chamo de Playground Offices, que tem puffs coloridos, mesa de ping-pong, redário e whatever…

 

LOCUTOR: Tatoo de henna. Você vai trabalhar para aquele projeto, pronto para apresentar um racional pro seu chefe, na hora do cafezinho você passa lá e faz uma tatoo de rena e vai para reunião já…

 

GUILHERME MACIEL: Vai desviando das bolinhas de ping-pong, dos tiros de nerf, usando sua bermuda, seu chinelo porque é o novo dress code da turminha…

 

LOCUTOR: E como vídeo recente aí de um grande canal do YouTube. Se você vai com roupa de trabalhador, você corre o risco de ser demitido

 

GUILHERME MACIEL: Eu acho que houve alguns avanços nesse aspecto, de trazer um pouco lado pessoal, de você poder ser mais você mesmo, de incluir a diversidade de não ser uma pessoa, criar o estereótipo do profissional e do pessoal. Hoje você pode ser mais pessoal, pode ser você mesmo dentro das organizações e isso tem sido valorizado. Eu acho que esse é um ponto Positivo.

 

Ponto negativo, aí extrapola não só um lado profissional mas também do lazer, que tá dentro do bolso também, tá dentro do celular e as relações humanas acabam sendo cada vez menos usadas.

 

Nós vivemos naquele mundo em que estamos humanizando máquinas e robotizando homens. E isso me gera um medo de futuro enorme. Medo mesmo, de onde vamos parar com essa brincadeira. Lembrando que à medida que a gente humaniza as máquinas, elas começam a também não só substituir o nosso trabalho físico, mas também todas aquelas habilidades cognitivas que nós temos.

 

A primeira vez, e eu acho que diferencia essa transformação das outras Revoluções Industriais, é que nesse momento as máquinas estão substituindo atividades cognitivas e não somente físicas como a nossa.

 

Onde isso afeta? Afeta no mundo que nós somos treinados para performar e não fomos treinados a pensar, não fomos ensinados a pensar.

 

Eu acho que as pessoas que vão sobreviver e que vão ter uma qualidade de vida melhor no futuro são aquelas que vão continuar pensando e não trabalhando como robôs. Esse é o ponto, agora onde a gente vai explorar isso, hoje a gente vai buscar a qualidade de vida? É nas relações humanas, é estudando mais ciências humanas, é entendendo mais de gente e não distanciando delas.

 

Acho que aqui é um tema para gente atentar. Hora parece que esses escritórios, esse novo modelo aproxima as pessoas, por outro lado a tecnologia distancia bastante, ao mesmo tempo essas empresas são obrigadas a performar num nível altíssimo para sobreviver.

 

Então é um dilema muito maior do que se eu uso bermuda, se isso é legal ou cool trabalhar no ambiente mais descontraído. Acho que a discussão é muito maior, que interessa esse último tema que você falou e pode criar, sim, uma geração doente psicologicamente falando. Eu acredito que nós estamos já nesse caminho infelizmente.

 

LOCUTOR: E com relação ao aspecto de muitas vezes já não conseguir distinguir mais o horário de trabalho, de horário de lazer, de horário de descanso, de vida pessoal e de família. Porque você tá, como eu disse no começo do bloco, você tá com tudo praticamente hoje no seu bolso. Então, eventualmente você se esqueceu de mandar o e-mail, você não precisa voltar, como antigamente você tinha que voltar para o escritório, esqueci o papel na minha mesa.

 

Hoje você abre o smartphone, pega, resgata o e-mail e encaminha. Mas isso pode ser no domingo, às 3 horas da tarde, quando a sua família tá querendo que você acerte o ponto da picanha na churrasqueira e não fique ali mandando e-mail de trabalho, e a gente vive isso inevitavelmente. Acaba tendo essa confusão, essa invasão do profissional na vida pessoal. Você enfrenta muito isso também lá no dia a dia seu do trabalho, de recrutamento, pessoas que têm esse tipo de dificuldade, sentem esse tipo de dificuldade? Como que você visualiza isso, o quanto que isso é impactante na vida dos líderes que você acompanha?

 

GUILHEME MACIEL: Eu acho que isso afeta todo mundo. Ninguém tem férias mais. Férias como conhecíamos no passado.

 

LOCUTOR: Sumir e voltar daqui a um mês, é Impossível.

 

GUILHERME MACIEL: Exatamente. Então, assim, quando a gente falava lá atrás também de TIME MANEGEMENT, esse conceito é antigo. A gente tem que falar hoje de ENERGY MANEGEMENT. Como é que a gente gerencia nossa energia. Vou colocar muita energia para responder uma mensagem no final de semana, me estressar no momento de lazer com a família? Eu acho exagerado, mas é verdade também que as pessoas esperam respostas imediatas. Esse imediatismo é assustador e preocupa, sim. Eu acho que chegamos num extremo e numa hora vamos precisar dar uma humanizada. Temos os países nórdicos já, tentando alimentar um pouco mais isso.  Mas ainda somos orientados muito pelo mundo performático e que precisa de respostas imediatas, e que gera todas essas consequências que você destacou bem.

 

LOCUTOR: Guilherme, para encerrar, fala um pouco do trabalho que você desenvolve com lideranças. Diz para gente quais são as características mais esperadas de um líder, hoje em dia, dentro daquilo que você acompanha no seu dia a dia?

 

GUILHERME MACIEL: O que que tem sido buscado? Esse é um ponto curioso, porque em tudo isso que nós falamos, o que nós buscamos no final do dia? pessoas que pensam de forma ágil, que tomam decisões rápidas e de qualidade, que são criativas, que são multiculturais, que tem essa tolerância, essa ambiguidade que nós vivemos. Um perfil mais empreendedor, um perfil de gente que faça mais com menos, que saiba agir e assuma riscos.

 

E cá entre nós, são bem-vindos até certo ponto dentro de organizações que têm uma estrutura, como dissemos lá no início, mais hierarquizada, mais estruturada, com governança muito rígida e orientada para pouco risco, num modelo mais tradicional de receitas, assim por diante.

 

Quebrar esses paradigmas é importante e trazer pessoas que têm condições de fazer isso, para mudar a tal da cultura organizacional e ajudar na perpetuação e sucesso da organização é importante. Acho que seria mais esses pontos que tem sido requerido recentemente.

 

LOCUTOR: Guilherme, para encerrar, eu sei que eu menti para você, falei que era a última pergunta, mas não é. O Fintech Labcast é um podcast sobre finanças, tecnologia e variedades. E a gente busca sempre trazer também a questão do aspecto financeiro aqui para o nosso ouvinte, que tem esse interesse e é inevitável.

 

A gente tem esses dois perfis das Fintechs, das grandes empresas, grandes corporações. Como que você avalia o impacto da Inovação no mercado financeiro?

 

GUILHERME MACIEL: Vamos lá, Léo. Sobre o seu Público aqui de Fintechs, né? O que eu tenho a dizer e o que aprendi nesses últimos tempos. A gente atende instituições financeiras também, na Amrop 2Get. Tenho acompanhado um pouco a evolução dos bancos dentro dessa afronta.

 

Acho que todo mundo já viu aquele slide dos peixinhos, as fintechs, querendo morder o peixão, o banco. Eu acho bonitinho, mas também um pouco ingênuo. É provocativo, mas ele é ingênuo em alguns aspectos. Porque o banco tem muito dinheiro, esse é um mercado regulado, é o mercado que tem amarras estruturais muito grandes, tem um legado tecnológico enorme que é difícil de romper e desses peixinhos comerem o peixão por inteiro.

 

Eu acho que vai ter peixinhos que vão engordar, sim, mas eu acho que vai ter muito peixinho sendo engolido por uma baleia. Essa é um pouco a minha percepção.

 

Do lado do banco, que compra tecnologia, isso que eu tava dizendo, eles focaram muito no desenvolvimento, na melhoria dos processos operacionais, uso de tecnologia para melhorar, justamente na margem dos bancos, para melhorar a experiência do usuário.

 

Eu acho que é aí que as fintechs estão ganhando espaço. Tudo o que é relacionado Customer Experience, UX, a uma recomendação mais assertiva de uma análise de investimento, de uma busca de empréstimo, que seja, tem sido oportunidade.

 

Brasil ainda, acho que é curioso, porque nós somos muito rápidos em adoção de tecnologia como consumidores finais. Por outro lado, criamos bastante tecnologia no mundo financeiro ou coisas que não são tão belas quanto essa que eu disse. E é da criatividade do brasileiro fraudar. Somos os primeiros a utilizar cartões chipados. Nos EUA ainda existe cheque. Aqui, raramente se usa cheque.

 

LOCUTOR: Ah, eu uso. Eu moro na roça, aqui se aceita cheque ainda. Pelo contrário, há lugares em que ainda não aceita o cartão e tem que pagar em cheque. Você acredita num negócio desse?

 

GUILHERME MACIEL: É um movimento, como a gente leva as maquininhas mais baratas para um país com essa capilaridade toda. Então, tem uma oportunidade enorme, um mundo ainda de brasileiro desbancarizado. Uma população enorme e que isso pode ser, sim, um ambiente favorável para fintechs. Não é à toa que estão brotando de tudo que é lugar. Trazendo soluções mais interessantes.

 

Sobre perfis, eu vejo os bancos caminhando para um modelo de criar um ecossistema, trabalhar mais em rede. Segundo os bancos varejistas, eles já digitalizaram a relação com o usuário. Na minha visão, foi feito em partes, tem muita coisa para ser melhorada ainda, mas os canais de fato melhoraram.

 

Estão digitalizando o ambiente interno, no qual todos os seus milhares de colaboradores estão trabalhando no Workplace mais digitalizado, e no próximo passo seria digitalizar os demais Stakeholders para criar um trabalho em redes mais ágil. Que seria uma grande rede, que trabalhasse de forma tão ágil quanto uma STARTUP, em um ambiente muito mais duro e muito mais pesado. As iniciativas estão sendo tomadas para os dois lados.

 

Enquanto isso, os empreendedores do mundo digital, em Fintech, têm surgido como a gente vê todos os dias. Então, duas unicórnios brasileiras crescendo e ocupando espaço rapidamente de empresas que tinham legados enormes.

 

LOCUTOR: Aprofundando um pouco mais sobre o mercado financeiro, como tem sido a demanda das empresas desse setor por líderes?

 

GUILHERME MACIEL: São muito com background de inovação, de DNA digital e tudo mais. Então, você vê algumas instituições bem tradicionais, essas grandes que nós temos, essas poucas enormes que nós temos aqui trabalhando já em SQUAD, com AGILE, então perfis desse tipo de profissional, que até então não existia, não era de se imaginar em desenvolver aplicações ágeis dentro de bancos no passado, hoje isso é bastante recorrente, é bastante comum de se ver.

 

Agora, continua existindo aquela turma para suportar o legado e manter as luzes acesas. Algumas estruturas separando isso, o mundo digital de um lado, o mundo mais information, o CIO mais um lado, o CTO mais do outro, e as coisas caminham nesse sentido.

 

O mundo de STARTUP’s ainda é muito recente, a gente ainda vê os founders nas organizações. E curiosamente, chama de organizações que estão crescendo, e quando vão buscar são competências complementares, que muitas vezes nem são de viés tecnológico. Mas como é que eu crio uma área de marketing mais parruda para brigar com a instituição financeira, fazer mais com menos. Como é que eu trago um CFO, alguém de operações que seja mais robusto na medida que as nossas operações estão crescendo. Então, isso ocorre também tá? STARTUP’s  que buscam aí perfis com experiências mais tradicionais, lembrando que estamos em ambiente muito regulado e muito duro, mas que adapte ao universo de STARTUP, que é mais ágil, mais dinâmico, que desliga menos. Vamos dizer assim.

 

LOCUTOR: Excelente. Cara, brigadíssimo pela sua participação. A gente teve um papo muito legal sobre transformação do trabalho, nessa época aí pós transformação digital.

 

Se você quiser deixar um link seu aqui, um LINKEDIN, um contato, eventualmente o nosso ouvinte quer entrar aí para sua rede de relacionamento, deixa aqui a gente coloca no post, se você tiver.

GUILHERME MACIEL: Claro, com o maior prazer. A minha principal rede social é o Linkedin. Estou lá: Guilherme Maciel, sou sócio da Amrop 2Get, que lidera prática digital.

 

 

 

LOCUTOR: Excelente, Guilherme! Obrigado, a gente agradece demais a sua participação e aqui a gente termina mais essa edição do Fintech Labcast.

 

Você sabe que você pode conferir todos os nossos programas, tanto no Spotify, como no Apple podcast, ou então no agregador de Podcast da sua preferência, ou então lá no nosso site: fintechlabcast.com.

 

O Fintech Labcast tem o patrocínio do Saxo Bank. Há 25 anos transformando a maneira de investir, oferecendo acesso global ao mercado de capitais.

 

A gente se encontra no próximo episódio, é claro contando sempre com o seu download, com a sua audiência um abraço e até lá.



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