Episódio 3 – A vez do Open Banking

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Você está preparado para o Open Banking? Como o mercado financeiro brasileiro se movimenta para evoluir nessa realidade global que mistura a tecnologia de APIs abertas com propriedade e proteção de dados.

OPEN BANKING, FINTECH, PROTEÇÃO DE DADOS

No terceiro episódio do Fintech Labcast, vamos falar sobre o Open Banking, um assunto que já é realidade no mercado financeiro global, e está começando a tomar mais forma também no cenário Nacional.  A quem pertence o dado que está no sistema bancário, a evolução do modelo Open Bank no Brasil, as Leis de proteção de dados, os tipos de monetização desses dados e as tendências do mercado financeiro são alguns dos temas tratados no programa.

 

Para esse papo, convidamos Marcos Cavagnoli, que já liderou operações de serviços financeiros em empresas como Citibank, JP Morgan, PayU Latam e Adiq Credenciadora.

 

A conversa aborda os modelos de negócio já em prática em outros países, a proteção e propriedade de dados e como tudo isso pode ser viabilizado no mercado brasileiro.

 

Fique por dentro de tudo isso com esse novo conteúdo do Fintech Labcast já disponível no Itunes, Spotify e aqui mesmo no site.

Transcrição:

 

LOCUTOR: Olá a todos! Eu sou Léo Lopes e começa agora mais uma edição do Fintech Labcast, o seu podcast sobre finanças, tecnologia e variedades. E, antes de mais nada, eu quero agradecer aqui nesse comecinho do nosso terceiro episódio a audiência que o nosso programa tem recebido.

 

A gente tem recebido muitos feedbacks, cada vez mais legais, o que inclusive motivou a gente a falar do tema que a gente vai acordar nesse terceiro episódio. O assunto que já é uma realidade no mercado financeiro global e que começa a tomar mais forma também agora no cenário nacional. Senhoras e senhores, o tema de hoje é Open Banking.

 

O Fintech Labcast tem o patrocínio do Saxo Bank. Há 25 anos transformando a maneira de investir, oferecendo acesso global ao mercado de capitais.

 

Não tem como a gente falar de Open Banking, sem a gente citar Henry Chesbrough, que é pai do conceito de Open Innovation, até porque um deriva do outro.

 

Basicamente, a gente tá falando de uma tecnologia financeira que é baseada em APIs abertas, combinada com uma maior transparência para os usuários e no final do dia, que acontece que isso impacta todo mundo de empresas a clientes, seja qual for o perfil.

 

A questão central do tema Open Banking tá conectada com discussões muito atuais, parte por conta da Lei Geral de Proteção de Dados e também por movimentos como o Open Data, que a gente tem visto cada vez mais.

 

Operações de Open Banking já começam aqui no Brasil como por exemplo no Banco do Brasil, ou seja, a gente fala de algo que já tá rolando mais que ainda tem muito chão pela frente.

 

Mas como você sabe, ouvinte do Fintech Labcast, eu não vim aqui para explicar, o meu papel aqui é provocar. Quem vai explicar isso para gente hoje é uma autoridade em inovação: Marcos Cavagnoli, seja bem-vindo ao Fintech Labcast!

 

MARCOS CAVAGNOLI: Muito obrigado! Agradeço muito pelo convite e oportunidade de trocar ideias e perspectivas com vocês e com o público.

 

LOCUTOR: Marcos, você já liderou operações de serviços financeiros em empresas como Citibank, JP Morgan, PayU Latam e também Adiq Credenciadora. Sua experiência vasta nesse setor, né?

 

MARCOS CAVAGNOLI: Eu tive alguma experiência. A experiência nunca é total, você sempre está aprendendo, acertando, ajustando e faz parte. Mas o importante é ter algo para poder contribuir.

 

LOCUTOR: Muito obrigado pela presença no programa de hoje. A gente já começa logo aqui aproveitando, falando um pouco sobre esse modelo de operação né, que tá no processo de implementação aqui no Brasil, que já é, como eu disse, uma realidade lá fora.

 

Então, eu começo perguntando para você: para quem tava em outro planeta nos últimos anos e não ouviu falar sobre Open Banking, eu queria que você desce uma explicação aqui para o nosso ouvinte sobre como é que esse conceito funciona e qual é o contexto de isso tudo hoje.

 

MARCOS CAVAGNOLI: Acho que a melhor forma de contextualizar isso de uma maneira rápida e prática, é você puxando na questão de: a quem pertence o dado que está no sistema bancário?

 

Essa é a grande questão na discussão do conceito de Open Bank, é uma mudança de paradigma na qual você traz para o usuário, para o consumidor, seja uma pessoa física, jurídica, de tamanho for, mas você traz na mão dessa pessoa o conceito de que você é o dono da sua informação.

 

Vamos pegar aqui uma coisa básica, o extrato bancário é o histórico de transações que você teve. Então, e isso não é algo que é posse de um banco, onde você tem toda aqueles anos de histórico, mas sim algo que você enquanto pessoa física, jurídica, você tem acesso a isso de uma forma rápida, transparente e a seu poder, da sua discrição.

 

Eu lembro até uma que eu fiz uma brincadeira numa reunião que eu tava no banco central, muitos anos atrás quando se começou a discutir no fórum sobre isso.

 

Eu falei “gente, aquela história, se eu quiser pegar o meu extrato bancário, imprimir grudas no meu peito, dar uma volta na Avenida Paulista com ele, é meu direito”. Eu lembro que na época alguém né de um banco disse “não é permitido, isso não é possível”. E foi interessante que todo mundo disse. “não, é! É o meu dado, eu faço o que eu quiser com ele.”

 

Então, tirando esse lado da anedota, mas o conceito é esse. Eu, pessoa, tenho direito ao meu dado. E aí o que acontece, baseado neste conceito você vem, aí sim né, a tecnologia sempre ela segue algo maior.

 

Eu sempre falo isso, nunca a tecnologia é ter ser. Este conceito, essa vontade que é quase natural, ela que vai claro… você tem tecnologia disponíveis como toda essa questão de APIs, que é uma revolução no conceito tecnológico que tem hoje no mercado. Não é algo novo, mas é na hora que ela começa a casar com essa vontade, com essa necessidade existe você começa a ter uma revolução.

 

Como é que eu consigo disponibilizar esses dados de uma outra forma, eles poderem ser usados de uma outra forma. Aí você vem com isso, o movimento de regulação começou muito forte na Europa, obrigando as instituições financeiras tradicionais a participarem, a fazerem essa abertura de dados via essas APIs.

 

Então, é basicamente esse todo o início e, na minha visão, o conceito dessa revolução chamada de Open Banking, ou mais que isso, Open Data.

 

LOCUTOR: Excelente! Quais as experiências com relação ao Open Banking,  que você conseguiria destacar para gente aqui, que tem acontecido globalmente e que tipo de Insight que a gente pode tirar dessas experiências, para que o Open Banking, no mercado brasileiro, evolua cada vez mais?

 

MARCOS CAVAGNOLI: A grande referência nisso é a Europa. Ela tem regulamentação que se chama PSD2 (Payment Services Directive 2). Teve uma PSD1, o pessoal pergunta por que o 2, é porque houve uma 1.

 

Não houve um sucesso. Tem várias discussões, por que disso, daquilo… Uma das questões que já ouvi, até mesmo de pessoas lá da Europa. Foi porque a PSD2 ela é mais agressiva em termos de penalização a quem não segue as práticas requeridas.

 

Então, acho que é um ponto importante, eu sempre falo isso em discussões, é você tem que ter uma questão de “Ok, você deve seguir isto, isto e isto”, mas assim, como você tem que forças de mercado, forças que querem ser mais conservadoras.

 

Teria uma briga né, qualquer revolução traz uma discussão de poder, mudança de poder, nesse caso empoderamento de consumidor, empoderamento de nova empresas, as fintechs, a gente pode falar sobre isso. É um empoderamento de ecossistemas abertos de inovação e você vai ter forças que são contrárias.

 

Então, neste ponto o regulador é muito importante, ele é importante para garantir uma série de coisas que vão desde questões técnicas como interoperabilidade, alguns outros requisitos. Mas ele também tem um lado, eu falo da punição, tem que ser forte, porque se ela não for clara, forte e aplicada, você não consegue dissuadir os agentes negativos na transformação.

 

Esse eu acho um ponto importante e às vezes no Brasil a gente sabe que não acaba sendo tão forte esse lado da punição, o forcement real da punição, quanto em alguns outros ecossistemas, como americano e europeu.

 

LOCUTOR: Marcos, só para a gente esclarecer aqui para o ouvinte, muitas vezes pode não estar familiarizado aí com algumas siglas e tudo mais, o que especificamente rege essa PSD2 europeia, que você se referiu?

 

MARCOS CAVAGNOLI: É uma diretriz, então PSD2 (Payment Service Directive), ela basicamente define condições para a questão do Open Banking existir. E ela define padrões mínimos, ela define por exemplo uma coisa interessante a frequência na qual a informação deve ser liberada de graça.

 

Até que ponto essa informação também, a partir de um ponto né, tem, deve e pode ser cobrada. Então ela criou esse ambiente e de novo, algum tipo de punição, caso o que é exigido desse ecossistema não é seguido.

 

Então, isso possibilitou um ambiente regulatório, e ao mesmo tempo ele fomenta, e ao mesmo tempo ele pune alguma coisa que não seja correta. Então, eu acredito muito nesse balanço.

 

Ele tem que estar em dois lados se você fizer só punição, obviamente fica uma coisa negativa, você acaba incentivando de uma forma uma pesada. Não é o que muda, você tem, por outro lado também, tem que ter alguma coisa que permita né, regras básicas, que não permita que um agente tenha, por exemplo, algum poder maior do que o outro, ou que se crie.

 

Às vezes acontece isso, você pode ter um fator de inibição de inovação que você coloca algum tipo de requisito tecnológico e não dá para ser seguido por empresas menores.

 

Então, você tem que tomar cuidado com esse tipo de coisa e o regulador tem que estar atuando sobre isso é uma situação interessante falando um pouco aí desse assunto, porque você tem que ter equilíbrio e uma regulação, a regulação pró-inovação. Não é uma regulação que é repressora de inovação.

 

Infelizmente, o Brasil tem ido muito nessa linha, os reguladores locais eu acompanho bastante e especialmente o Banco Central, eles têm uma pegada ao longo dos últimos 5 anos, cada vez mais intensa na linha de ser regulador-fomentador da Inovação.

 

Está faltando um capítulo sobre isso, mas ele tem feito isso quer dizer, essa questão de ao mesmo tempo você deixa o mercado observando e discutindo algumas coisas, ele tem que discutir. Mas tem hora que você tem que pegar essa levantamentos, fazer consultas públicas, checar algumas coisas. E em algumas coisas você tem que ser impositivo, senão você cria algum arcabouço, que acaba sendo uma fake, uma pseudoinovação.

 

Você fala “poxa, lançou o Open Banking no Brasil”. Ah, legal, interessante, mas ele tem um requisito de tecnologia para interoperabilidade, que faz com que dezenas de pequenos players não possam efetivamente atuar ou tem uma barreira de preço que efetivamente não viabiliza, então você tem que tomar cuidado com esse tipo de situação.

 

LOCUTOR: Uma das características do Open Banking, da operação de Open Banking é a maior circulação de dados né, então isso acaba colocando aí no holofote a maneira como a gente compartilha os dados e também como é que essa troca de informação pode acontecer com segurança.

 

Então, eu pergunto para você, Marcos. Qual o nível de maturidade que o mercado brasileiro teria para esse cenário, com uma maior movimentação de dados e, nesse sentido, os desafios tecnológicos e também um eventual mindset para aderir a esse modelo de Open Banking né, que seja mais próximo dessas experiências que já são consolidadas na fora?

 

MARCOS CAVAGNOLI: Bom, você tem várias coisas, como qualquer mudança, qualquer inovação profunda sistêmica ela acontece em passos. Ela acontece com efeitos de impacto.

 

Então você tem que considerar isso, não adianta você achar que a Inovação vai acontecer de uma forma linear. Eu estava discutindo um pouquinho com algumas pessoas a necessidade do entendimento realístico da inovação. Qualquer dinâmica realística dela, dentro de uma empresa ou dentro do cenário nacional, que você tá falando aqui de Open Banking.

 

Então, acho que o primeiro caso é o seguinte, as pessoas vão ter que acostumar com essa situação, porque ela imagina, você tem gerações de pessoas que foram criadas numa visão de que você tem os seus dados ali eles estão fechados e eu conto com aquela instituição financeira para falar.

 

Claro, você tem agora o movimento fintech e começou a quebrar um pouco isso mas ainda de uma forma isolada, quer dizer que tenho por exemplo minha conta num grande banco e eu posso ter uma conta secundária, que uso mais para movimentação, um outro digital bank que eu uso mais para investimento.

 

Eles acabam sendo um pouquinho mais focados, alguns mais genéricos. Mas vamos pegar um caso, que você tem uma conta principal ainda no banco tradicional, historicamente há 10 anos e você abriu uma conta em um banco digital.

 

Ainda assim são duas contas isoladas ou por exemplo, você foi pedir empréstimo numa outra empresa, você pode ter dois relacionamentos, mas eles são isolados. O que que ele traz isso e eu como consumidor, nós com consumidores, a sociedade vai ter que aprender a operar. Agora eu tenho direito a usar o meu dado que está na Instituição A, permitir que a Instituição B acesse esse dado, e aí vai todo mundo discussão importantíssima de transparência, de que data tá sendo partilhado, de como é que está sendo feito para o consumidor.

 

Então, vou permitir isso de forma a ter um benefício, essa Instituição B vai passar me dar um benefício na taxa mais baixa, um prazo mais longo, um produto que não tinha na A, devido a esse dado estar sendo utilizado.

 

Essa é a grande questão que vai ter que ser trabalhada com a população e quando a gente entende no Brasil população isso é muito importante, tem uma questão muito profunda quando você fala de inovação, que poucas pessoas comentam, que inovação está ligada à educação.

 

A questão da educação financeira vai ser muito crítica, não é educação financeira só de aprender fazer conta de taxa, de mais e de menos, é entender esse contexto de benefício de como é que funciona o sistema e quando você olha o todo da população, a gente tem que entender qual que é a qualificação dessa população em termos de poder entender isso, não sei se ela já teve essa questão discutida na escola, ensino médio, ensino superior.

 

Na hora que você olha, você ver que a grande parte da população brasileira não teve. Então, para eles entenderem como banco tradicional funciona já é uma caixa-preta muito difícil, para eles entenderem esse contexto vai ter que ser trabalhado, então por isso que eu falo que a transparência, a educação financeira no sentido amplo de sistema financeiro, vai ter que ser muito trabalhada junto, então de forma correta via mídia, vários tipos de canais, talvez empresas tenham um tremendo no espaço para isso, com influenciadores digitais para poder ajudar a população a entender essa inovação e não ser reativa a ela ou não ser passiva em relação a ela, poder se ativa, aproveitar, cobrar.

 

Poxa, o meu banco não tá fazendo. Por que não tá fazendo? O banco do meu amigo tá fazendo, tá tendo tal benefício, que ela entendesse benefício ao mesmo tempo também, se proteger de empresas que eventualmente estejam fazendo coisas erradas. Então, que você fala um pouco na questão da maturidade de segurança, nem tudo não ser rosas.

 

Vão acontecer problemas, você tem aí historicamente, uma vez eu falei até numa palestra, falei se a gente fosse parar com algum processo de inovação ou parar com algum setor devido algum problema de fraude ou até de Cuber Security, segurança cibernética, eu falei que era para ter parado todos os outros setores, inclusive o banco tradicional.

 

Se você olha historicamente, as grandes crises que tiveram né, não entrando detalhe, mas os setores tradicionais bancário, de energia, de construção, tiveram as suas fraudes. E não é por isso que você mata o setor. Então vai acontecer, no processo de transformação vão ocorrer problemas. Isso que as pessoas têm que entender e esses problemas vão ter que ser tratados de uma forma madura no âmbito das empresas, no âmbito regulatório com regulador, e com a sociedade então quando aconteceu um problema quando a gente explica a sociedade.

 

Então, quando acontecer um problema, como é que a gente explica para a sociedade? Como é que ela entende que isso é um problema na empresa ou de repente uma tecnologia que ainda não estava madura? E ok, vamos lá dar um passo para frente, porque o conceito da Inovação é mais forte, ele é mais essencial.

 

Esses são assuntos que vão tem que ser tratado de uma forma muito profunda, muito intensa e as empresas que assumirem de uma forma bem clara a capacidade de tratar essas diversas coisas que eu comentei, vão ter um espaço muito bom, vão ter mídia, vão ter contato com o consumidor, vão ter a confiança do consumidor, isso vai impactar muito na questão do relacionamento de produto, de lifetime value, do valor do cliente no tempo, de como é que você rentabiliza ele de uma forma muito transparente, mas muito próxima. Assim que eu vejo o caminho acontecendo.

 

LOCUTOR: Marcos, Lei Geral de Proteção de Dados é algo que eu acho que tem um impacto, eu queria que você explicasse um pouco por favor aqui para o ouvinte do Fintech Labcast, do que se trata e numa evolução do cenário Open Banking, rodando plenamente vamos dizer assim, qual seria o impacto dela dentro desse cenário?

 

MARCOS CAVAGNOLI: São dois assuntos que eles estão intimamente ligados. Não entrando aqui nos detalhes da Lei de Proteção, mas acho que o ponto conceitual, ela vem para proteger justamente essa questão da pertinência dos dados e de como é que eles estão sendo utilizados e o uso deles está sendo manifestado, explicado e permitido ou não.

 

Esse é um grande ponto, na hora que você fala de Open Banking, tá falando justamente da utilização de dados, de uma nova forma de utilizar então, esses dois assuntos caminham de uma forma muito ligado, estruturalmente ligada. Vejo que eles têm que andar de forma ligada, então não tem como você falar de Open Banking, de uso novo dos dados sem você tá tendo uma forma de regular isso para garantir a proteção, a transparência, o controle de permissão das coisas, ainda mais no mundo onde você tá tendo toda essa avalanche na questão da discussão sobre privacidade.

 

Eu fiz uma vez um seminário com pessoal do Vale do Silício e falaram, imagina o seguinte, imagina que você tem uma filha de 10 anos de idade, ela tem que ir na escola a gente que seja um quarteirão de distância e que durante esse caminho tem mais ou menos uns 100 fotógrafos tirando foto dela.

 

Faz essa imagem na sua cabeça, qual que é a sua sensação? Eu tenho duas filhas, minha sensação, na hora que eu imaginei, foi horrível. Eu não sei o que estão fazendo, 100 caras, cada um tirando 50 fotos. Eu falei, poxa, o que vão fazer com a foto. Ele disse, “então, é isso que acontece quando você tá na internet, o nível de exposição, de isolamento de dados, eles até estavam fazendo uma demonstração daquele Collusion, que foi da Firefox, que ele cria um mapa de onde os dados estão indo, à medida que navega na internet.

 

É bem interessante, um mapa visual e na hora que você olha aquilo, você fala “poxa, espera aí. Eu to há um minuto, dois, mexendo e tem mais de 100 pontos aqui com a minha informação, que não tenho a mínima ideia.”

 

Então, ele traz um questionamento importante hoje que é eu, Marcos, você, uma empresa, eu tenho dados e eu tenho total direito de saber como é que esses dados estão sendo utilizados para que, como e até em cima disso definir, o dado é um instrumento de barganha.

 

Ok, eu abro o meu dado, mas eu quero alguma coisa em troca. Ok, eu faço aqui meu cadastro positivo para pegar um outro assunto. Ok, ótimo agora tem toda essa mudança do cadastro positivo passar para ser OPT OUT. Agora, todo mundo entra, quem quer tem que manifestar que quer sair, mas ok. O que eu ganho com isso, acho que essa é a grande questão né?

 

Como é que eu controlo isso e na hora que você entrou em Open Banking, é isso que dado meu está indo, porque o dado é meu, o  conceito é esse, que dado meu está indo, para onde está indo, como é que ele vai ser guardado, quais as proteções que eu tenho.

 

Então, assim eles são assuntos críticos, tem que tomar muito cuidado porque uma má confecção, uma má aplicação de uma Lei de Proteção de Dados pode matar uma iniciativa de inovação, como também se ela não for feita ou aplicada corretamente, ela pode permitir que fraudes e mau uso dos dados aconteçam de uma forma recorrente demais. E de novo, não acontecer coisas erradas, mas uma coisa quando você tem um erro isolado, porque um agente mal-intencionado, não porque o sistema está errado, é isso que a gente tem que tomar cuidado.

 

Agente mal-intencionado vai ter em qualquer coisa na vida, o tempo inteiro tem que ter os mecanismos de repressão e de melhoria do sistema para ele não tem mais isso, mas você não pode um erro sistêmico, que aí começa a colocar em xeque o sistema.

 

Você atrasa mais com esse tipo de coisa. É isso que eu vejo. E de novo, eu volto muito na questão para mim que é crucial, da questão de educação da população. Estou repetindo muito isso porque eu acho que é uma das grandes Bandeiras e as grandes mudanças que tudo isso que tá acontecendo vai trazer. Você tem uma população, de novo, a gente não pode que o Brasil é aquele Brasil que a gente circula com microcosmos.

 

Então, não é a pessoa que trabalha comigo, as pessoas que trabalham com você, não é a pessoa que é especialista em finanças, em pagamentos ou em tecnologia, esse não é o Brasil.

 

Você tem dezenas de milhões de pessoas, que não tem essa formação, não tem esse conhecimento específico e a pergunta que fica é: como é que elas vão ser educadas no uso desses dados, na visão do direito dela sobre esses dados, como elas podem exigir o controle, como é que faz para saber que o lado dela não foi respeitado em relação a lei?

 

Então, esse é o grande cenário que eu vejo, você tem poucos players que estão ocupando esse espaço para ajudar a população nesse entendimento e claramente que quem quiser fazer esse jogo de Open Banking, esse jogo de inovação, tem que plugar a questão da educação, do seu ecossistema alvo para acompanhar isso e de travar esse ecossistema, permitir que ele esteja muito sólido, muito confiante.

 

Você como um owner, como dono desse ecossistema, e aí conseguir navegar junto, permanecer no ecossistema, que te alimenta, te protege, te explica e eu acho que isso vai ter um espaço absurdo aqui no Brasil para acontecer.

 

LOCUTOR: Marcos, agora mudando um pouco o foco na questão de risco para as oportunidades que são geradas por conta dessa circulação. Quais as possibilidades de monetização desses dados, ou seja, quem ganha com isso quem seriam os players aí do mercado que tornariam essas possibilidades mais factíveis, mais concretas?

 

MARCOS CAVAGNOLI: O primeiro ganho, eu sempre falo que o primeiro ganho que você tem que ter é o ganho do seu cliente. Se você não deixou claramente, de uma forma extremamente perceptível, um ganho para o seu cliente, não tem negócio.

 

O ganho por cliente ele se dá de duas formas básicas: você pode dividir, tem N formas de dividir. Uma forma que eu gosto é você tem um ganho financeiro, algo é mais barato para mim. Pode ser um produto, pode ser o próprio dinheiro.

 

E você tem o ganho logístico, quando eu faço alguém perder menos tempo com algo, se deslocar, menos basicamente é isso. Então, essas são as grandes questões que tem que ser trabalhadas, dentro da perspectiva do cliente. É você poder tangibilizar para ele que, olha eu vou pegar um caso é bem típico e você abrindo seus dados históricos de consumo Dante de extrato bancário e eu sou uma fintech de crédito.

 

Vou dar um exemplo aqui, eu já trabalhei em duas fintechs de crédito. Então, eu tenho este dado a mais seu, esse histórico a mais, que eu não tinha antes, ou para acessar de uma forma que era complicada, complexa, talvez não ideal, mas imagina que agora eu tenha uma forma ideal.

 

Então, estou consumindo esses dados. Olha, tá vendo, estou pegando isso, isso e isso de você. Tô pegando seu extrato de 5 anos, de um ano, pegando o seu padrão de entrada de investimentos.

 

Ok, tudo transparente, correto, em cima disso eu tô te voltando aqui uma taxa que é X. E eu vou olhar essa taxa e, nossa, ela é extremamente interessante. É melhor do que aquela própria instituição tradicional, que tinha na mão tava me oferecendo. Tem um ganho aqui né, ou então assim estou consumindo e panejar uma viagem e imediatamente consigo ver esse player, que tava montando uma viagem para mim. Não tô usando o nome de empresa, mas o pessoal pode imaginar.

 

Estou montando uma viagem, para mim, para minha família, envolve traslado, envolve reserva de hotel, tudo. Aí, imediatamente me traz uma oferta financeira bem interessante para talvez ter um adiantamento para essa viagem ou para poder financiar ela de uma forma diferente, com uma taxa melhor e rápido.

 

Não tive que ir no banco pedir, tava aqui comprando a viagem  e a coisa aconteceu. Houve um ganho financeiro e logístico de tempo, então esse tipo de ganho vai ter que ser perseguido de uma forma muito sistemática por todos os players.

 

E quando você vai no ganho de ecossistema, para trás dos provedores, o que vai acontecer, você tem sim até um movimento que aconteceu na Europa. você basta ter toda uma questão de monetização pelo consumo das APIs. Então, você tem hoje várias empresas que trabalham quase como marketplaces de APIs, algumas instituições elas mesmo montando ou você contratando uma empresa para fazer isso.

 

Mas onde você monetiza na informação que está compartilhando, não há problema, pelo contrário é justo. A questão é, como é que você vai monetizar?

 

Então, olha você está consumindo de mim até tanto de informação, provavelmente nesse nível é direito do cidadão. Pode ser alguma coisa do tipo, não vai ser de graça.  A partir desse ponto, sim, eu tenho custo e eu quero monetizar isso. Ok, legal.  Eu vou te pagar por essa informação que eu estou recebendo. Ok, vamos ver as regras para fazer isso, então você passa ter o marketplace, um mercado de monetização de APIs.  Isso ainda no Brasil é muito incipiente, longe de ser algo relevante, mas já começa na Europa em países mais adiantados nisso a ser uma linha de receita definida nas instituições que participam da troca informação.

 

Então, eu vejo essa linha acontecendo de uma forma ainda incipiente no Brasil, mas decolando para aí talvez alguns anos de uma forma bem intensa.  E o interessante é que esse consumo, é um ponto interessante de se trazer para mesa, que na hora que você começa a falar de consumo de serviços, de micros serviços via APIs, você pode estar consumindo, eu montei uma empresa posso estar consumindo do banco A, do Banco B no Brasil.

 

Mas você pode estar consumindo de uma empresa de Israel, consumindo alguma coisa de um varejista, eu posso estar consumindo alguma coisa de uma empresa da Suíça.

 

Então, você começa a criar uma verdadeira globalização em termos de consumo de serviços, que a gente não tá acostumado a ver. Isso muda toda a forma como você monta a empresa, quando você monta um negócio, como você monta e desmonta produto, como é que você trabalha realmente a Inovação aberta na sua empresa, quer dizer que vai ser muito difícil você ter uma empresa cada vez mais que consiga fazer tudo dentro de casa.

 

Não é que tem tudo para ser feito fora, mas você vai ter que ter uma forma de trabalhar esse dentro e fora que é o famoso Make or buy, levado agora numa escala totalmente diferente muito mais rápida, muito mais líquida de você ter que fazer isso daí que, quem não souber que trabalhar nesse modelo de inovação aberta vai ter uma grande dificuldade de acompanhar o cara que vai tá trabalhando, porque você não vai conseguir acompanhar.

 

Você não tem como ser bom em 30 coisas e para você dar uma experiência única para um cliente, você em que juntar 30 peças, tem que juntar 100, juntar 10. Como que você vai fazer isso, sendo que alguém tá juntando os 10 melhores. E você tá tentando fazer os 10 melhores, fica complicado.

 

Então, eu vejo essa tendência e essa monetização nessa busca de compor o melhor, vai monetizando o consumo de serviços dessa comunidade de uma forma extremamente intensa. Então, eu vejo essa evolução ou empresas criando internamente a capacidade de ter este marketplace de consumo de serviços e APIs e rentabilização, no sentido de pago e recebo por isso e ou empresas intermediárias, uma tendência lá fora, no Brasil que tá começando, de você ter players que fazem esse marketplace para os outros.

 

Eu sou um grande marketplace, você precisa montar A, B, C, D E, F, G, H? Eu tenho A da China, da Suécia, eu tenho aqui do Brasil. b c d e f g h da China eu tenho o B da Suécia, eu tenho H aqui do Brasil. Tá bom vou consumir esse aqui, tá bom esses dois outros aqui, o K e o L eu faço em casa, entendeu?

 

Então, no fundo as empresas vão começar a ser grandes montadoras, vai começar a voltar naquele modelo do cada vez mais da indústria automobilística, eu viro uma montadora.

 

LOCUTOR: Marcos, está chegando aqui no bloco final do nosso papo, aqui no Fintech Labcast, bastante informação com relação a esse tema do Open Banking e eu queria falar um pouco agora a respeito de tendências do que tá chegando por aí.

 

A gente tem notado que na economia brasileira, hoje, existe uma movimentação favorável para algumas flexibilizações. Em outubro do ano passado, teve um passo já no sentido de facilitar a entrada de fintechs estrangeiras no Brasil, o governo fez uma autorização prévia para entrada de capital estrangeiro. Também teve a chamada “declaração de independência” do setor específico de crédito, que permitiria que as fintechs tivessem maior autonomia e tal.

 

Eu queria que você, por favor, falasse um pouco a respeito desse cenário. Está realmente mais favorável o cenário nacional hoje, isso tudo teve um efeito prático que favorece a implementação do modelo de Open Banking aqui?

 

O quanto que esse cenário também favorece os Players que não são especificamente bancos a operarem nesse nosso território que antes era totalmente restrito principalmente no setor bancário né?

 

MARCOS CAVAGNOLI: Você citou aí dois pontos. Eu vou tentar responde-los um pouco separado.

 

Acho que a primeira questão é quanto que o ecossistema regulatório, quanto eles estão efetivamente ajudando a progressão da Inovação aqui no Brasil?

 

Meu feedback é muito positivo eu tenho visto especialmente, eu acompanho muito de perto o Banco Central, um pouco mais CVM, um pouco menos SUSEP. Acho que os três grandes blocos aí de regulamentação, que tá fazendo esse processo que eu falei da regulamentação pró-inovação.

 

Mas você pega ele está indo muito bem, acho que começou de uma forma lá atrás na abertura do mercado de meios de pagamento quebra do oligopólio que tinha, a gente ainda com muito chão para caminhar. Ainda tem muito chão para ir nessa direção.

 

Mas você teve um movimento importante, você tem que ter discussões muito maduras ajudando nesse sentido. Teve a criação da regulamentação específica das empresas de crédito da SCD (Sociedade de Crédito Digital), SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas).

 

Quer dizer, você tirou a obrigatoriedade de ter uma instituição financeira intermediando ali a questão dos empréstimos naquele modelo de correspondente bancário. É uma opção, mas agora você tem outra.

 

Então, acho que assim, na hora que você começa a criar opções reais e efetivas, como eu disse, que realmente viabiliza na oração você começa abrir espaço para os empreendedores, para as pessoas criativas e isso tem de sobra aqui no Brasil, para poder colocar produto na mesa. Começar a colocar produto na mesa, oferta de negócios, juntar com outros players que estavam fora do Brasil, auxiliar como capital estrangeiro, vir para fomentar é muito importante.

 

Essa é uma das travas muito fortes no ecossistema brasileiro ainda, que é o acesso à capital. A gente tem uma dificuldade muito grande de acesso a capital nos estágios iniciais das empresas, no chamado Vale da Morte ainda por cima, do que quando você compra com o Estados Unidos, e isso precisa mudar, isso tem que mudar. Claro, com iniciativa de um dos investidores locais mas sempre você tem que trazer o dinheiro de fora, ele ajuda a aumentar quantidade de dinheiro e a também provocar o agente local a se mover.

 

Você começa a trazer essa entrada de fora, quem tá dentro e está acomodado, tem que começar a se mover. Isso faz parte da inovação. O acomodar é um dos piores venenos em relação à inovação, na hora que você deixa uma coisa protegidinha, sem Impacto né, olha, fica do jeito que tá, é difícil o agente ter uma motivação natural para inovar.

 

Na hora que vem alguém de fora, tá fazendo X e Y, bom eu quero sobreviver, eu vou mexer também. Então, esse conjunto tá sendo muito positivo e eu acho que ele tem que continuar sendo fomentado. Tem coisas muito legais sendo criadas, essas leis têm a criação do Sandbox, que são os espaços regulatórios para coisas diferentes.

 

Então, o Banco Central, na CVM permitir que uma empresa falar “olha, eu quero fazer um negócio aqui, eu sei que não o que está na regulamentação, mas posso fazer, posso testar?” Sim, pode. Vamos fazer aqui de uma forma controlada, junto quer dizer, tirar aquela coisa que você tinha anos atrás que era o medo do regulador falar “nossa, não vou fazer porque eu tenho medo, ou então vou fazer escondido, pior ainda”.

 

Então não, você tá agora cocriando com regulador, acho isso muito positivo. É só manter a tendência, que cada vez mais acelerando, pegando muito exemplo. O regulador tá fazendo bem, pegando exemplo de outros bancos centrais e outros órgãos reguladores ao redor do mundo e isso é importante. A Austrália tá fazendo isso, Europa está fazendo, vamos juntos, vamos copiar o que é correto e o que não foi correto, vamos fazer melhor.

 

Se tiver essa cabeça, continuar com essa cabeça, a gente tem nos próximos 5 anos um ótimo espaço de regulamentação inovadora.

 

O outro ponto que você falou é um assunto que eu sou apaixonado, que é a inserção e como é que essa questão do setor financeiro e do não-financeiro. Até porque eu acho engraçado, no início da carreira eu trabalhei no setor não-financeiro, na área de Supply Chain, de projetos.

 

Depois que eu entrei no setor financeiro e o que eu sempre falo com as pessoas que nasceram e são demais do setor financeiro em si. Às vezes até mesmo da área de pagamento. O pessoal fala “ah, eu sou pagamento”. Isso é um pedacinho da vida da empresa é só você olhar sua própria vida. Prefiro olhar para você, na hora que você está pagando algo ou fazendo uma aplicação ou mexendo no banco, é um pedacinho da sua vida.

 

Ele é só, praticamente, um viabilizador. Você quer viajar, você quer o produto você quer o serviço, então, na verdade, às vezes a gente tem que tomar cuidado para nós que somos da indústria né, não acharmos que a indústria é o todo.

 

Indústria é o setor, quando você fala o setor pagamento ou um pouquinho mais amplo, o Financial Services,  serviços financeiros, ele não é o todo, ele é um pedacinho ali na cadeia, e o que que eu vejo, essa cadeia ela era muito isolada e cada vez mais isso tá sendo desafiado.

 

Então, eu vejo o contrário, eu vejo um grande movimento e é um movimento onde você vai realmente ter a trava do cliente com você é quando você fizer a mistura né, o blurrying pessoal, como lá fora, entre a parte financeira e a não-financeira.

 

Até porque assim, o jogo para mim é “quem que é, o que eu chamo de Ecosystem Owners? Quem é o dono do ecossistema?”

 

Quando falo assim, quem é o ecosystem owner, quer dizer quem é a entidade que tem empresas ou consumidores embaixo, ele realmente é “dono” desse conjunto. Quando falo dono, ele influencia, ele é influenciado, esses clientes estão juntos, eles consomem juntos, eles estão tempo junto com a empresa, com que empresa os consumidores passam mais tempo. Quem eles ouvem mais, quem que eles procuram quando tem problema, uma dor e esse é um ecosystem owner.

 

Na hora que você olha os grandes ecosystem owners, eles não são do setor financeiro que justamente onde você tem maior parte da vida né, do ciclo de vida do cliente.

 

Então, esses ecosystem owners, eles vão passar por um processo que eu… Eu não gosto da palavra bancarização. Eu uso a palavra, nem sei se foi eu que criei, eu uso financialização, eles vão ser financializados.

 

Eles vão se tornar agentes financeiros usando justamente, bebendo da fonte que esse processo de Open Banking. O que que acontece, na hora que eles podem começar a construir serviços, consumo de serviços de APIs, eles podem começar a usar um modelo de Bank as a service, para conseguir uma plataforma de conta e pode consumir um serviço de cartão de crédito, ele pode conseguir um serviço de empréstimo e ele vai começar a criar em volta dele o ecossistema dele, financeiro dentro do ecossistema não-financeiro que ele tinha. E aí, esse cara vai ficar muito mais poderoso.

 

Então, eu vejo que vai ter uma reconfiguração, estão acontecendo iniciativas principalmente na área de supply chain finance, faz financiamento de cadeias de fornecimento intrapaís, entre países, foi uma experiência muito boa que eu tive quando tava na JP Morgan, a gente faz negócio muito legal nessa linha. Você tem muita coisa acontecendo nessa parte e que tá acordando, claro que precisa desses agentes não-financeiros, estão começando a entender isso, mas está acontecendo.

 

Tem varejista se movendo para esse lado, plataformas de e-commerce, todos os shoppings center, você tem várias entidades que a princípio não eram do setor. Mas peraí, “eu sou um ecosystem owner, na verdade que não tinha este pedacinho aqui que se chama aí de pagamento, serviços financeiros, ué, mas ao contrário. Eu vou trazer um pedacinho para o meu mundo é muito mais fácil do que levar o mundo por pedacinho.”

 

E a gente tem que ter humildade disso então, eu vejo assim, uma reconfiguração importante de entidades não financeiras consumindo serviços via plataforma aberta e Open Innovation, para financializar o seu ecossistema isso é uma linha. Você vai ter um movimento muito grande de formação de outros tipos de empresas, joint venture, fusões, aquisições desse players não-financeiros e financeiros, formando empresas que tem uma oferta mais ampla na cadeia.

 

Eu acho que isso é uma tendência já está acontecendo e vai, para mim, é só o começo, a ponta do iceberg e eu acho que você pode ainda ter um terceiro momento que são players tipicamente financeiros comprando empresas não-financeiras, para agregar no seu portfólio ou criando serviços não financeiros para expandir um pouco a oferta em torno do que é o ciclo de vida real do cliente, não só o financeiro, mas a vida dele, eu acho que é um caminho pouco até mais difícil porque é mais fácil a maior parte anexar a menor, do que a menor anexar a maior.

 

Essa parte menor, ela é menor no ciclo de vida, mas ela tem muito dinheiro então por isso que acho que essa terceira via pode acontecer, apesar de ela não ser assim tão fácil. Mas eu vejo claramente esse blurrying.

 

Daqui a uns anos, vai ser difícil você falar “eu sou entidade financeira”. Eu não sou, você varejistas agora já tão se movimentando no Brasil, oferecendo conta digital Nubank pelo ecossistema deles. Por que? É óbvio, ele acordou falou “pera aí, no banco digital x ali que tá fazendo sucesso porque tem cinco milhões de contas ativas. Pera aí, eu tenho 15. A questão é que eu não sou engraçada, “sexy”, porque eu sou aqui uma financeira antigona, dentro de uma em varejista.”

 

E se eu remodelar isso, é muito mais fácil digitalizar e manter esses 15 milhões comigo, do que de repente né, sair do zero para tentar chegar em 15. Então, essas equações aqui estão sendo bem discutidas eu acho tremendo espaço, tremendo espaço.

 

Acho que é algo que vai fomentar muito, tem todo seu desafio né, que é a mudança de mentalidade, você saber jogar em outro setor, saber fazer o que eu falei, aquela questão da Inovação aberta esse Make or buy, recapeado.  A inovação aberta, saber jogar efetivamente nisso, saber superar as dificuldades.

 

Eu sempre falo assim, não adianta você ter uma visão de inovação e de inovação aberta ou de Open Financial Services, o que seja, e assim você acha que vai ser uma maravilha, que vai bater a meta do primeiro ano.

 

A pergunta é assim, você vai ter resiliência, você vai saber passar do erro, você vai saber passar pela falha, você sabe trabalhar falha como aprendizado real não só discurso, e realmente usar isso para ir para frente, quando não bateu o budget no primeiro ano ou no segundo, porque vai acontecer.

 

De novo, não existe inovação fácil, é um processo de rasgar a semente para a planta crescer são questões que eu coloco e tem muitas empresas que ficam no discurso, fazendo desde a Inovação de marketing, que eu falo que é só para valorizar empresa no mercado, até inovação, que eu falo assim que a auto ilusória, que ela fala assim “olha, eu sou inovador, eu acho que sou realmente acredito que eu sou”, mas no primeiro problema que tem, você volta o comportamento antigo, tradicional, top down, hierárquico.

 

Então, você não está realmente inovando você tá fingindo que inova no momento que é fácil e as empresas que conseguem realmente evoluir são as que mantém o padrão de comportamento inovador, na estratégia, no momento da dificuldade. Essa é a questão que tem que ficar na cabeça para reflexão.

 

LOCUTOR: Com certeza vai ficar, a gente vai refletir afinal de contas é um tema extremamente presente, atual, vai ser cada vez mais presente na vida da gente, inevitavelmente.

 

Estamos chegando aqui no finzinho do nosso episódio, meu querido amigo Marcos Cavagnoli. Obrigadíssimo pela sua participação, e antes de encerrar antes de pedir que você passe aqui os seus links dos seus contatos, para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o seu trabalho e tudo que a gente conversou sobre esse tema obviamente que é a primeira vez que a gente aborda o Open Banking aqui no Fintech Labcast, mas está longe de ser a última com toda certeza.

 

O que é que a gente não abordou eventualmente e que a gente pode deixar aí como expectativa para uma próxima conversa?

 

MARCOS CAVAGNOLI: Eu queria agradecer aqui pelo convite do Saxo Bank, o Fintech Labcast, adorei aqui, foi uma conversa muito gostosa. Enquanto eu tava falando, também vou refletindo ou também me questionando e aprendendo.

 

Então, agradeço a oportunidade, quem quiser me adicionar no Linkedin por favor, será uma honra é Marcos Cavagnoli com GN, só me procurar lá;

 

  • Linkedin: Marcos Cavagnoli

 

E, poxa, assuntos que a gente não tratou? Nossa, dá para fazer um podcast só falando de assunto que a gente não falou. Dá para falar bastante uma próxima oportunidade sobre pagamentos instantâneos, que é também um assunto muito forte da regulamentação que tá vindo, vai ser uma grande mudança, um grande Impacto, acho que tem bastante.

 

Assunto que também dá para falar bem mais essa questão de como trabalhar em inovação aberta nesse ecossistema hoje de criação de hubs de empresas, de comunidades, de empresas locais e internacionais ,e como é que isso modifica estratégias de criação de produtos e serviços de AMM nas empresas de participação, temos um espaço bom para a gente conversar a respeito.

 

LOCUTOR: Excelente, Marcos. Excelente, muito obrigado mesmo pela sua participação nesta terceira Edição do Fintech Labcast. Fica aí o link também do LinkedIn do Marcos Cavagnoli para você quiser adicionar ele lá na sua rede de relacionamentos e aqui a gente termina mas esse episódio do Fintech Labcast.

 

Quero agradecer demais a você, querido ouvinte, que nos acompanha. Obrigado pela sua audiência, você sabe você pode conferir todos os episódios do Fintech Labcast, no Spotify, também no Apple podcasts, no Google podcasts ou no agregador de Podcast da sua preferência ou também através do nosso site fintechlabcast.com.

 

O Fintech Labcast tem o patrocínio do Saxo Bank. Há 25 anos transformando a maneira de investir, oferecendo acesso global ao mercado de capitais.

 

Eu me despeço de você aqui, a gente se encontra no próximo episódio um abraço e até lá.



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